
Ping Pong.
Quando bem jogado, a bola faz sempre o mesmo som, o mesmo ritmo (quase musical) de back and forth.
Eu sou a bola. Tanto fico em cima, como em baixo.
Sujeita a levar pancadas de tal força que posso rebentar.
Frágil, mas crucial para o jogo.
A velocidade a que a bola vai só depende da perícia do jogador, e neste caso, acho que até estou nas mãos de alguém que joga estupidamente bem.
É. Estou nas mãos de alguém.
Sem vós, que seria de mim?
Obrigada.
Estou-vos eternamente grata.
E eu a pensar que estava na altura. De desistir, digo.
Aparentemente não. Voltas e voltas depois, o meu estômago decide que parar de tremer, grunhir e exprimir a sua má disposição não é uma escolha. Tem de acontecer: o estômago manda.
"Das duas, trinta e uma."
Será desta? Será agora que o meu olfacto (ou a falta dele) me denuncia, que o meu sorriso deixa escapar uma (meia) verdade?
Sim, o meu corpo vai-me denunciando involuntariamente, enquanto eu silenciosamente aguardo que o cérebro o domine.
Mas não. Diz o estômago, que manda, que é preferível ser dominada e denunciada, apontada claramente como a criança que bateu na outra, a que passa a vida a ser apontada e a ouvir dizer sobre si "Foi ele!".
Ao menos acabam-se as charades.

Acho que não.
E daí talvez saibas e estejas a fazer-te de desentendido. E quem não se faz, "de quando em vez"?
Até porque se fosse "de vez em quando" era demasiado comum para ti.
E é isso que me aborrece: o facto de seres tudo menos comum. É isso que me causa um mal estar eminente, e por incrível que te possa parecer, falta de apetite.
Se souberes, diz-me.
Se não sabias, ficaste a saber.
A verdade é que estou a isto (e imagina agora que delineio, neste momento, um espacinho minúsculo entre o meu polegar e o meu indicador) de me deixar ir.
Até porque, se continuar assim, dentro de momentos eu deixarei de ser eu.
Oh Ser, sê à vontade!
Só não me importunes como um grilo, que faz um barulho interessante ao início, e passado uns tempos, insuportável.